quinta-feira, 19 de junho de 2014

UMA RESPOSTA AO ARTIGO INCRÍVEL GERAÇÃO DE MULHERES!


Eu acreditava nas causas firmes e fortes das feministas do partido, até jurava que nunca entenderia a crise as quais elas sempre enfrentavam (e enfrentam), porque eu era fraca. Uma ocasião até me chamou a atenção para uma atuação mais consistente na área, pois oras que faz uma jovem comunista fora de uma organização de mulheres né? Deveras eu seguiria essa tendência, se não fosse à louca vontade de me tornar mãe. Certa vez li sobre o sentimento de maternidade e a princípio bastavam-me às informações biológicas dadas por argumentos políticos e contextos históricos, mas acabei por enfrentar uma série de questionamentos e autocríticas frente a um espelho de indagações da vida pratica em amparo e observância aos resultados das experiências de vida da minha própria mãe. Então, constatei pouca eficiência naquelas ações.
É muito difícil explicar nossas abstrações filosóficas, falar de nossos infernos e de nossos paraísos, eu me sinto exatamente assim: CULPADA! Sempre me sinto culpada por um sentimento ou outro, por uma forma de enxergar diferente e não concordar com uma visão “radicalóide” sobre o gênero feminino. De repente, desinformada. Poxa... Não é o que eu quero. Mas essa catarse me conforta e me transporta á um labirinto de idéias que vão desenhando esboços de projetos e realizações com aderências sociais mais harmônicas, vou encontrando respostas, amizades, cariños e divãs, então insurge Sartre e concordo. Concordo que “o inferno são os outros”, que projetamos demais nos outros a nossa própria realização e aguardamos deles algo que amenize o vazio que nos habita. Concordo, que “nunca se é homem enquanto se não encontra alguma coisa pela qual se estaria disposto a morrer.”.  Vejo-me vítima de meu passado, de meu orgulho e detesto todo esse estado de espírito porque “detesto as vítimas quando elas respeitam os seus carrascos”, mas de qualquer maneira ainda saímos (humanos) ganhando porque “a violência, seja qual for à maneira como ela se manifesta, é sempre uma derrota”. No fim do labirinto eu sempre tenho uma boa resposta, por isso busco a purificação contra uma representação mais árdua da minha própria alma.
Contudo, venho á platéia experimentar diversas emoções, me libertar, superar traumas, opressões ou perturbações psíquicas, quero resgatar memórias, pois essas provocaram traumas, mas ainda vivem seus gestores tentando esconder e nos fazer esquecer seus crimes, suas drogas de soluções e curas que vivem a banir pessoas de seus meios e sonhos, afinal “direito adquirido é direito conquistado”, e todo mundo lúcido sabe de suas conquistas.
Não, “tarefa dada NÃO é tarefa cumprida”! A influência das memórias do inconsciente no comportamento humano manipula a ação e demonstra o quanto é equivocado a interferência de terceiros em tarefas individuais, abstratas, políticas que precisam ser articuladas, cobrando obrigações e regras num estado de purgação espiritual pela aceitação coletiva, num momento em que o indivíduo busca aceitação e participação, não doutrina. Eu já vi jovens e mais jovens passarem por linchamento moral por não ser de uma corrente política ou de uma panelinha, e é ai que residem muitas das minhas questões.
Antes como rebelde e hoje como mãe quero desafiar minhas possibilidades, quero que vá (me perdoem a palavra) á merda as panelinhas corruptas que pregam palavras de sabedorias, mas que fodem literalmente com o trabalhador e o estudante brasileiro. Usam seus recursos para uso de entorpecentes, viagens protocolares á construção de currículos pessoais, promiscuidades e desforras ás custas de cargos dirigentes de associações representativas.
Respeito todos meus ex-dirigentes que algo de articulado, pensante, orgânico e vivo me apresentaram e discutiram. Respeito todas as mulheres despojadas que de uma forma contracultura sobrevivem nos movimentos sociais e mesmo assim amam suas famílias, adoram ser mães, pois eis que são filhas, adoro de paixão as que não querem a maternidade, mas que não são ridículas ao ponto de querer dizer que suas vidas são ultra, mega e melhor frente as que escolheram procriar e educar uma criança debaixo de seu teto, assistência, amparo e proteção.
No fritar dos ovos, todos precisam de cuidados ao se dizer melhores que os outros porque uma vida de causas e motivos nobres todos nós temos e estamos tentando preservar nossas ancestralidades e tradições. Uns populares, outros acadêmicos, mas o fato é que as hipóteses estão sendo apresentadas e querer dizer que existe um tipo apenas de homem é arrogante demais.
Se a mulher dos sonhos de um homem é construída com base no seu imaginário, mais do que falar e criticar, opte pela sessão da conquista, da interferência e da contaminação. Mostre-o como é bacana ter uma namorada que trabalha e estuda muito, que todo dia tem dezenas de e-mails para responder e isso promove uma vida social mais desenvolvida e amparada. Que seus pés possuem calos que depois de bem lavados vão fazer um estrago nas suas costas e no corpo todo porque você pode até rolar no corpo dele e que “pra fora” todos não medem esforços para dizer o quanto você é elegante porque vive andando pra lá e pra cá e só usa saltos.
É lindo ser independente e “fazer o que se bem entende com o próprio salário: comprar uma bolsa cara, doar para um projeto social, fazer uma viagem sozinha pelo leste europeu. Precisa dirigir bem e entender de imposto de renda.”, claro que é massa! Mas só não pode cultuar o individualismo e esquecer que em qualquer projeto seja profissional, acadêmico ou pessoal vamos precisar de alguém. Uma opinião, um gesto atencioso ou fraternal. Pra cantar uma música, pra te dar um elogio, te emocionar, sobretudo... Amar!
No meu caso infelizmente, também preciso de um SER mais forte, que me ajude a me defender de muitos opressores e agressores que cismam em aparecer no meu caminho e a esse SER, cúmplice e generoso, sou capaz de dar uma pouco mais da minha vida e de compartilhar meu status social, minha renda financeira e meus horizontes, porque viver não está fácil.
Quebrar tabus? Fugir aos estereótipos? Peitar o machismo? Encantar os homens com o que penso e faço, e quebrar as pernas dos mais abusados e babacas, ah isso eu faço com propriedade, não me faltam atributos. Já faltaram! Mas tem que querer né.    
Papos de quem vão à cozinha, confiança em si mesmo, expectativas sobre o quê os pais e nós mesmos esperamos de nós, justificativas de solteirices, os motivos geracionais dessa massa de pessoas a ganhar o mundo são recursos temáticos a revisionar e sugerir discussões, bacana é isso que nos move, mas não façamos desse papo um banquete de poucas pessoas. E em tese, vamos convencer a maioria?
Ninguém precisa mais ficar sem graça porque não sabe a melhor receita de bolo e nem temer se os pais vão reprovar sua ida á faculdade e/ou viagem super tri-legal na França, infantil demais esse apego, entendo, mas já está dado pra geral que a mulher do século XXI é detentora de conhecimento acima da média das mulheres do século passado. Esse talvez seja um dos motivos pelo qual lutamos tanto por leis protetivas e inclusivas, uma vez que estamos atuando em inúmeras áreas do sistema administrativo e tecnológico do planeta. Quais pais não se orgulhariam? E qual homem não disputaria com uma mulher altamente desenvolvida? Será? Será que é desafiador lutar nesse cenário de tantas adversidades? Se eu fosse homem ia pensar muito.
Os meninos da nossa geração também são mais cativos, gentis e de certa forma sensíveis. Vejam os estudantes de artes, tamanha é a sensibilidade que chegam a incomodar com suas peças, telas e interfaces lúdicas para nos ajudar. Vejo muitos garotos que foram criados só pelas mães e que vire e mexe querem apoiar a mulherada pq cansou de ver a mãe sofrer. Pensem bem meninas adeptas do solteirismos, tem rapazes legais a beça por ai, entre muitos escolhi o que acho mais sensível as minhas características, mas se pudesse, ficaria com muitos que insistem em me pedir em namoro.
Diferente do que muitas moças “independentes” estão pensando e passando, eu e muitas amigas achamos que os meninos foram avisados sim sobre o jeitinho da mulher brasileira atual, com todo esse desprendimento, mas acredito também que há muita rigidez e acidez nessa situação que se afunila podendo chegar a um desfecho chato e negativo, como cenas de agressão por exemplo. Não se trata de poder falar palavrão, mas se trata de causa e efeito. Não se trata de quem pode mais, mas sim de Educação, de boa gestão cultural e da construção do simbólico e isso é papel de todos!
Desnecessário discutir meus dilemas individuais como se fossem de todas, para resolvê-los eu e meu ex-companheiro procuramos terapia, religiões alternativas, mudamos comportamentos e com todas as dificuldades estamos rumando á uma amizade segura e sadia, porque do nosso amor surgiu uma linda menina. Uma cidadã incrivelmente capacitada á viver nesse nosso mundo de conflitos, gestora de seus conflitos, insegura como toda criança, mas zeladora dos princípios de humildade, solidariedade, respeito ancestral, religioso e moral. Defensora de suas idéias!
Mais que um homem moldado a nossa maneira (“que não dê um liquidificador de aniversário”), nós precisamos acabar com a prepotência dos dois lados! Se de um lado não quereremos alguém que questione a nossa rotina, também por outro, não podemos moldar e educar alguém (homem) para nos querer.
O grande x dessa questão ao meu ver por enquanto, é a formação de indivíduos ativos, trabalhadoras, NÃO CORRUPTOS, não controladores do espaço e do tempo, pessoas lúcidas e afetuosas capazes de amar uma mulher independente e humana, como também serem homens independentes e mais humanos. Ninguém é tão bom só que não consiga andar acompanhado! Se para nós mulheres deitar no peito de um homem é pedir colo, para muitos homens pedir um prato de comida quentinho com a carne preferida também é uma forma de pedir cuida de mim. Se somos a geração da parceria e não da dependência, sejamos mulheres parceiras e não atiremos mais pedras!
Até que se prove o contrário sei que as mulheres estão lutando pelos seus direitos, trabalhando duro para sustentar a família ao mesmo tempo em que tenta levantar a sociedade fazendo dela um lugar melhor para se viver. Culpar os homens, a sociedade como um todo, a criação dos pais que criam as filhas para o mundo, mas que querem noras vivendo em função da família, e pior, questionar uma mentalidade sobrepondo seu status de mulher avançada dizendo-se aberta á ganhar o mundo e que esse mesmo mundo deve se virar para lhe ter de volta é no mínimo obsoleto.
Um parâmetro científico por favor, se há um culpado então á este devemos dar o nome do nosso sistema capitalista de sobrevivência, ao qual nos adaptamos, moldamos e aceitamos. Caramba, “Não se nasce mulher, torna-se mulher!” e Simone de Beauvoir está certa em dizer que o eterno feminino é uma mentira, pois eis que a natureza desempenha um papel íntimo no desenvolvimento de um ser humano: Somos seres sociais. E defender o projeto anticapitalista é a reflexão de uma igualdade real entre mulheres e homens ao lado da luta contra as diversas formas de dominação, pois onde tiver dominação e exploração haverá mulher humilhada e escravizada. Por isso a luta feminista sempre pregou o fim da opressão de gênero só a partir de uma mudança do sistema vigente de opressão social, no nosso caso, o capitalismo. Rosa Luxemburgo sempre combateu o reformismo e o esquematismos teórico nos debates com a social-democracia alemã, denunciando internamente o oportunismo político, pois para ela “entre a reforma e a revolução devia haver um elo indissolúvel” no qual “a luta pela reforma é o meio e a revolução social é o fim!”, e nós queremos o fim de toda forma de opressão, queremos o fim do machismo, da escravidão e de uma vida de agressões.
O homem ativista social que não enxerga que a defesa de um projeto anticapitalista é a construção do ideal de igualdade entre mulheres e homens na luta contra a dominação, não se pode dizer consciente de si mesmo, afinal o fim da opressão de gênero estimula e muda o sistema vigente de opressão social.

Por fim, tento permear a palavra de ordem de Simone de Beauvoir: Nada sem revolução sem a emancipação da mulher, nada de emancipação da mulher sem a revolução. E que não nos apeguemos a atritos desnecessários. Quebre seus tabus e se torne uma mulher feminina e feliz! 

quinta-feira, 29 de maio de 2014

O GRANDE LANCE DA VIDA!




"Quanto sonho não vivido
do jeito que foi sonhado!
Mas tudo tem mais sentido
quando, enfim, é conquistado."

O quê você faz com as coisas que os outros fazem com você? Será esse o grande lance da vida? É carta repetida dizer que as experiência mesmo que trocadas não impõe ao outro disciplina, conhecimento ou amor próprio, a pessoa tem que enfrentar o problema de frente e se descobrir resolvendo as questões. Todos tem que passar pela situação pra de fato aprender, e eu concordo!
Todo dia quando acordo me afirmo muitas vezes porque não dá para voltar, tão pouco se conformar ou pirar deixando de acreditar que as coisas vão mudar, porque elas mudam. Pro bom ou para o pior.
Mas voltando no "lance", o que certamente acontece se você ficar sem reagir por causa do medo, ou se ficar se achando boa demais a ponto de não poder cair e levantar, chegando á máxima de ficar perdida e neurótica sem direção, só tente se aproximar da água corrente, respire fundo como quem vai explodir os pulmões, saboreie-se com a natureza e tente imitar o rio ou o mar que sobrevivem a tantas agressões.
Tem jeito não, a regra é simples: A gente sobrevive! Vai se fortalecendo e criando raiz, montando a nossa história e o nosso caminho, que a gente só pode fazer caminhando né? Tropeçando, mas caminhando. 
Uma hora (e ela sempre chega), teremos que mostrar como foi que tratamos os entulhos e lixos que chegaram até nós e ai, ao rever os degraus que subimos, conseguimos enxergar a fortaleza! Esse é o lance. 
  

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

E mais outra de Matilda:

O tropeiro

Naufraguei, naufraguei, não aceitei a submissão
Fugi mesmo próximo as festas de São João
Sem pé-de-moleque tropeiro, sem grandes encantos
Apenas satisfeita com os quitutes que eu mesma planto

O telefone descalça minhas esperanças
Ficamos sempre feito crianças
Gritando e berrando bobagens
Para bolinar mais tarde em verdadeira sacanagem

A Pagú me abandona
Olha-me, me deixa insana
Quando olho meu sonho sorrindo pra outra
Lembro dos homens de fé que deixei na varanda

Sou pecado
Sou descalço

Quero o copo de leite
Que enfeitiçou todos os meus enfeites

Aqui em Guaianazes não ta sol, não ta frio
To sonhando acordada com o dia seis de abril
Por escolha não tem Zé, não tem padeiro
Ah, amor, não sei de seu paradeiro
Quase uso o copo de veneno...

Sua energia me traz alegria
E sua lagrima fingida
Verdadeira tirania

Tudo por ti é verdadeiro
Só não derrame em cima de mim
Suas vontades de traiçoeiro

Ai, ai, ai, homem tropeiro.

Matilda Serpente
São Paulo, 06 de março de 2010
(Época de PL do Pré-Sal e CUCA Guarnieri!)
Outra de Matilda Serpente:

No meu mar!

Entrei no trem. Maravilhas de Luz. Disseram-me que era para não naufragar, a agitação daquele mar é assim mesmo.
Cheguei em casa e comprei o ingresso da Festa de São João.
Festas de São João sempre foram encantadoras e eu sempre me lambuzei de pé de "muleque", que é bom demais.
Entreguei um pacote de feijão, um de farinha e um kilo de açúcar e mesmo assim a prenda não ajudou na mandinga.
Enfezei, subi descalça e mergulhei no mar! Piuiiiiiii! Estação Guaianazes!
Um mulatinho fogoso que come comigo na tigela, de sapato vermelho
me bolina na cestaria de idéias.
A minha gata é a mesma da Pagú, sim!
É safada e corriqueira...
Trepa na trave do galinheiro e o seu glamour é o rabo:
Que agarra como serpente!
Mandinga de idéias no meu mar é só mais uma distração.
Não é verdade que encontramos camaradas embasbacados com os milhões de palavras do nosso vocabulário? Eu mesmo sou atrapalhada! E admiro quem se deixa embasbacar.
Admiro o parrudão que sobe o morro e pinta a cara de café. Esse é um cara predestinado, residente de um espaço especial, conversa com os poetas, com donos de apitos, apertadores de buzinas e gestores da ordem "natural". Canta, bebe e dança com as pretinhas, mas só consente quando abre suas janelas e observa a música objetiva.
Toda e qualquer explicação premeditada do estranho eu sou a primeira a indagar!
Termos desconhecidos precisam ser C O N H E C I D O S.
Não pode ser aquela telefonada direta ao detentor do vocabulário.
- Que é isso de ....? Que profissão ou produto pós-moderno é isso?
Não, não cabe.
Cabe é ficar assim, não querendo demonstrar ignorância na presença da instruída senhorinha (ou senhorinho), calar-se, mas dai e pra si, sair para a lavoura dos livros avantajados que ensinam coisas.
Desalinhado, sonolento, empenhado a ponto de resolver...
Já no morro e no meu mar,
Apanhar flores no céu das estórias das crianças,
nascer com a cidade,
mesmo desconhecendo o trânsito, os apitos e as buzinas
Colocar-se no caminho para chegar às estrelas...
Aprendi isso aqui em meu mar,
E isso é não naufragar.



Matilda Serpente
São Paulo, 17 de junho de 2009
(Época de congresso da UNE)
Há muito tempo não contribuo com a literatura, talvez auto-piedade, coisas e tal.

Nesse exato momento, ligo meu PC, não meu note que está baixando uma porção de programas (entre eles o mais imperialista, que toda vez desinta-lo para instalar de novo, affff.) para uma arte requisitada de ontem pra hoje ao amanhecer. Enfim, esse não é o assunto!

Sempre penso o quanto é chato os blogs que não vão direto ao assunto, potanto, vou publicar um texto da Matilda que me veio... em 2009, cujo qual, não tive vontade de publicar! Ai vai:



As compras de Matilda

Misturo-me as compras: a carne seca e ao filé de primeira classe
Na sacola vai fraldinha, patinho e um kilo de acém,
São tempos de fartura, na vida dos trabalhadores de ninguém.
Artilharia pesada na boca horrorosa da senhora emissora
Que se agarra aos pés de discursos traiçoeiros
Aff, uma situação constrangedora

Compro esse ai que sabe as coisas dela
Bulindo num “copo de leite”,
Ofereço-me na pinguela.
Como minha gata já esta trepada
Vou tratar de ser corriqueira
Para os meus “açuncê,s” não serem vistos
Como coisa de baderneira
A feira é muito assim...
Lugar de “fofoqueiras.”

O feirante amigo meu continua seu trajeto
Sobe e desce, sobe e desce, continua bem discreto
Anoitinha bebe e dança, seus adornos de criança
Infeliz os cabras que não desfrutam da mesma esperança.

Cabe assim analisar
As profundas reflexões necessárias
Da Matilda que só compra
Da Matilda revolucionária
Que pede só aos seus vizinhos:
"Não deixem as crianças com fome à beira da estrada!"
Garantam-lhe ao menos uma boa galinhada!


Matilda Serpente
São Paulo, 26 de junho de 2009

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Gasparr envia série de esculturas á 7ª Bienal da UNE - 2011

Gasparr é estudante de artes visuais, estuda na Universidade Camilo Castelo Branco - UNICASTELO - Campus Itaquera - São Paulo. O artista se define como " um olhar aberto ao cotidiano" e remete sua série MULHERES SEDUÇÃO, a 7ª Bienal de Artes da UNE, que acontece em janeiro de 2011 no Rio de Janeiro.
Empolgado ele envia suas obras para apreciação geral da galera!
Confiram aqui!

MULHERES SEDUÇÃO
Gasparr/2010
Técnica: Papel Seco e Tinta Metálica de Tecido
















quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Arte Orgânica!












* Por Tatá Nascimento

Arte orgânica, melhor que criticar é gritar e sair do silêncio!

Muitos estudantes de Artes ainda não se conectaram com a amplitude de noções sobre o trabalho da inteligência humana. Existe uma vasta busca para decodificar e exemplificar os trabalhos humanos que atuam em oposição à natureza em amplitude e, num sentido estrito, a ação realizadora de uma concepção voluntária e consciente que produz o prazer estético. Várias vezes definimos Arte como uma procura histórica e cultural dos sentidos da beleza e perfeição e que, portanto, acabam por substituir-se por ícones sensíveis, como a tensão e a depressão. Costumamos dizer que obra de arte é algo estreito e com total vínculo ao momento e período histórico que a origina e que fora deste contexto é impossível de ser compreendida. Entretanto, o objeto/obra que se estuda vai demonstrar características intemporal e universal, o que lhe permitirá perenidade independente da vigência dos princípios estéticos que a inspiraram. Como ação fundamental da humanidade e por assim dizer Orgânica, a arte esta totalmente linkada a capacidade de expressão simbólica e sentimental da espécie. Organicamente atua como comunicação perpetuando-se como função social de uma civilização ou cultura, contando com inúmeras teorias de como se deu sua origem. Há idéias e teses que a defendem como uma promoção biológica, tal como o ato da degustação de alimentos e gosto por líquidos, como a função de comer e beber saborosamente que diz que somos o que comemos. Há também as áreas que defende seu surgimento como um objetivo social traçando um roteiro encantador ligado à mitologia, aos feitos de magia e as práticas religiosas, talvez uma maneira de firmar fenômenos injustificados e injustificáveis, ou uma crítica muito ácida sobre os artistas do passado. Em suma resposta automática que quase sempre não nos lançam na lógica da coisa/objeto palpável e mutável. O caráter orgânico e utilitário do fazer artístico é muito palpável com seus objetos, existente nos universos popular e primitivo, não se descredencia por suas expressões estéticas. Suas razões necessárias lhes dignificam em concepção de funcionalidade, agrega nela o sentido transformador, democrático e inclusivo, tendo-a agora como Arte Funcional. Assim, pode-se afirmar que tal qual a importância da Arte que inclui é também a da que conceitua que briga e incomoda por opinião maturada, condensada e pesquisada em centros de opinião e formação como as academias, faculdades, escolas de arte e entidades ligadas a pesquisas, lógo, temos a Arte Conceitual. É importantíssima a noção que advoga a favor da influencia recíproca do erudito sobre o popular e vice-versa, tendo-os como fenômenos dialéticos e, podemos estudar com riqueza de dados em disciplinas de história, de crítica de arte e construções estéticas. No tocante, questiono nesse momento, a ausência de ênfases no estudo da metafísica semiótica que pode “perfeitamente” nos conectar as constatações do simbólico, por exemplo. Acho costumeiro cometer separações nas artes, é até importante segmentá-las para uma priori de intenções, porque convivemos com paradoxos que ao mesmo tempo em que adoramos Arte, pouco de fato empreendemos para respaldá-la, defende-la e protege-la da sua sofrida vida cotidiana de privatismo, principalmente no que tange a preservação e seus espaços públicos. A lógica é do quanto mais aberto, mais fomentado, não o contrário! Em meio a tantos cenários, artistas se organizam em plásticas e planos espaciais com desenho, escultura, arquitetura e pinturas e no âmbito rítmico e narrativo somos música, dança literatura, teatro, cinema e todo o caráter dinâmico que der. Para o contemporâneo gosto de compor com os que pensam nos impactos verdadeiros da poluição na obra passageira que traz na arte urbana seu espaço expositivo recriando atmosferas em túneis e ambientes degradados, mas local de vivência e experimentação, onde passamos e deixamos à posterioridade um olhar sobre o mundo garantindo novas gerações. Digo isso em respeito ao artista que SENTE que precisa representar o humano, que transforma o túnel em catacumba e que cria o Ossário e faz sua crítica em forma de imagem gritante e rude através da sua suavidade inevitável num local em que o humano, o orgânico já havia se perdido. Ainda bem que mais que criticar, ele gritou e saiu do silêncio! Aqui vou eu lendo, escrevendo, pintando e gritando. E, por favor, pensem na quantidade de fuligem que são armazenadas diariamente nos túneis da capital paulista. Talvez seja siiiiim a mesma quantidade que respiramos fora deles.

(* Tatá Nascimento - estudante de artes visuais, atriz, gestora e coord. do DECA da UEE e do CUCA da UNE/SP)

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